despedida

01:25

a cidade em que cresci
pequena sin city
meu lamento e minha Vitória
suas ruas, veias abertas,
foram, outrora, minha redenção
mas, agora, tudo me é sufoco
tudo me sufoca
as verdades que me lembram
as verdades pintadas nos muros
com sangue
as verdades que já sei
e as que tento não lembrar
e que você, querida ilha, não me deixa esquecer
crimes, brigas, assaltos, intrigas
medo marcado na derme da alma
na epiderme
minha pequena gotham
o feio e o belo andam juntos
lembro das tardes nos parques
dos sorrisos aos domingos
dos banhos de mar
dos beijos, do amor
você me mostrou a vida
e, não sem dor, me ensinou a viver
agora, querida, me lanço na história
velando teus segredos, tua magia
chorando teus mortos, tua desgraça
pra te dizer o que o poeta disse antes de mim:
deixe-me ir, preciso andar

20:27

Eu preciso escrever. Eu sinto que preciso escrever uma série de coisas e é urgente. Uma série de histórias - ainda não contadas. Eu preciso contá-las. Algo dentro de mim pulsa e me faz perder o sono pensando nessas histórias que preciso escrever. Mas quando vou tentar tirá-las do mundo embaralhado das ideias, as palavras... Elas me escapam. Estão perdidas, confusas, anacrônicas. Acho que, pensando agora, talvez eu precise escrever coisas que eu mesma não sei como dizer.

19:49

entrelaçaram os fios da história
alinhando todo o romance
teia e trama trançadas
numa só máquina de tear
para que, se caírem,
possam um ao outro
amor-tecer

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.