01:44

entre os brasis que pipocam em brasa
agitando-se por todos os lados
e febris por atenção
encontrei o teu, geni
estava podre, sujo e amordaçado
debatia-se, geni
com os braços amarrados nas costas
e um roxo olho que saltava
geni, o teu brasil tinha um olhar triste
e símbolos de vênus que sangravam
exalando um cheiro de morte que me fez chorar, geni
me fez chorar
mas, vendo a minha lágrima,
teu brasil se levantou, geni
quis me abraçar
tentou gritar
e, finalmente, deu um berro que me calou
e foi assim, geni, que pude ouvir o teu pedido de socorro

Sobre querer partir sem ter que abandonar

23:09

E se eu comprar uma passagem só de ida para alguma outra cidade? Não, isso não é uma ameaça. Nem tampouco alguma forma egoísta para ouvir coisas boas ao meu próprio respeito. É só a pergunta que eu tenho me feito todos os dias antes de dormir.

Tenho pensado em abandonar tudo o que ajudei a construir, só para começar a ajudar a construir outras coisas.

E, volta e meia, chegam aos meus ouvidos casos de amigos, amigas, conhecidos e primos dos amigos que foram e ficaram por lá. Como se fosse fácil ir, como se fosse fácil permanecer. Como se fosse fácil não cansar. De novo e de novo.

E todas as noites me faço imaginar como será, ou como seria, quando eu largar, ou se eu largasse tudo, tudo.

Por que eu ainda estou aqui?, me perguntei dia desses.
Ontem mesmo, eu me respondi: meu medo é ir e, bom, não voltar mais.

11:43

a alegria virou estrela
deixou buracos
vazios impreenchíveis
ódio e desesperanças
e quem perceber a tristeza no olhar
perceberá o óbvio
infindável saudade

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.