Deus

Sina

15:47

Entre tantos montes do mundo
Tenho procurado por aquele que me espera
Entre tantos mares nos oceanos profundos
Resta-me somente aquele que me alegra
Ninguém é capaz desse então magnetismo
Inebriante como o doce cheiro do jardim
Dentro de outra e de outra, um abismo
Ai, meu Deus, que belo Jasmim!
Dante, talvez me entenderia,
Em Ti, apenas, encontro a minha sina.

carta

Atestado

14:51

Ao Sr. Francisco de Melo,

Depois de trinta e cinco anos tentando descobrir o sentido da vida e mundando-o sempre que uma estação chegava, decidi não mais conter meus desejos por um mundo à merce da minha negligência. Porque, na verdade, tanto faz o que os críticos dizem dos meus livros, eu já cansei de me preocupar e lutar por qualquer coisa menos injusta. Fica até difícil falar sobre justiça. Aquela velha história de que não há luz onde há trevas, etc etc etc. De qualquer forma, querido, eu não estou com paciência pra ficar te explicando minhas ideias. Não vou ferir ninguém só pensando, tranquilize-se. Mas se quer polêmica, eu faço. Jogo minha dignidade fora, porque sou sem vergonha, cara de pau. É tudo marketing, meu bem. Enquanto você ganha dinheiro, eu me destruo parcialmente. Mas tanto faz, hoje estou fora de mim. Só por hoje tudo me convém. Não me espere hoje, amor.

Beijinhos,
Cecília.

cotidiano

Prosa furada, papo lírico.

13:41

Desculpe-me, não consigo mais escrever, não tenho tempo para os amigos, não vejo mais filmes, ler só de quando em vez. Desculpe-me os atrasos, as noites mal durmidas, as olheiras por baixo da maquiagem. Que me perdoe pelas palavras mal-ditas, pelo ombro cansado, pelas dores na coluna. Desculpe a ausência nos aniversários, nos funerais, nas despedidas e nos casamentos. Desculpe também a irresponsabilididade, os compromissos desmarcados, as promessas frustradas de um encontro. Desculpe-me as vezes que esqueci datas importantes e que não liguei. Desculpe as cartas mal escritas, os abraços apressados, a célebre 'estou atrasada, depois a gente se fala'. Desculpem-me, poemas. Desculpe-me, amigos, mãe, família, eu. Desculpe a falta de palvras bonitas, de uma história intrigante. Não sou um best-seller, graças a Deus. Acontece que vou prestar vestibular. Por falar nisso, estou atrasada, tenho mais aula.

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.