passado

Se

18:44

Se o mundo acabasse hoje
Sei que faríamos tudo o que sentimos falta
Tudo o que lutamos para não fazer
Talvez tudo o que nos torna maus
Todo o roque que curtiamos
E os tropeços em pedras invisíveis
Os amores mal resolvidos
As loucuras de uma época com outras cores
Porque somos reféns do passado
Vestígios do passado
Se tentamos negar ou mudar
Não é porque somos vagabundos
Só não sabemos nos adaptar a este ritmo

liberdade

Eu, circo

14:38

Cadê a tua trupe?
Vai, não me disse que quer ser artista?
Vai e dança. Mostra teu sotaque atuado.
Interpreta a dor e canta os movimentos.
Confunde tudo numa coisa só.
Confunde tudo o que é bem e bom.
Porque dessa maneira não tem problema.

Pinta o rosto com as tintas do amor.
Age como palhaço na noite,
E diz como poeta apaixonado.
Usa as vestes de linho esperançoso.
Sê tu teus sentimento
E serás feliz.

amor

O rapaz do sonho

13:45

Quem é este rapaz, meu Deus?
Que por onde passa tráz sorrisos
Só de vê-lo, a memória dá um jeito de sorrir
Que ousa ser tão simples...

Quem é esse?
O cara que vem com a cara limpa
Sorri sem cobrar juros
Chora sem se envergonhar

Que moço é esse?
Não é burguês, eu sei
Mas desconheço esse olhar tão confortável
De onde é que vem?
O seu brilho que refresca

Bem-estar impagável

Ele tem muitos amigos, o Senhor me disse
Pai, não sei nem o seu nome
Mas desconfio que seja alegria.

paixão

La bella solitaria III

13:23

(Michael Cera na foto)
Ela era tão nova para aquela vida de solidão. Aos vinte e sete anos deveria estar brincando de gostar, de casar. No telefone ele insistia em elogiá-la de qualquer coisa que remetivesse à luz. E se entregava ao pensamento, imaginando se ele sabia do que ela precisava, questionando-se se havia alguma força superior e divina que todas as manhãs colocava uma pitada de brilho e emoção em seus lindos olhos. Conversou sobre o que não estava em sua rotina, já que cansou dela por um período que se estendia quase para sempre. Despediram-se às duas horas. Havia lido a maioria das páginas durante a conversa, conversou cobre as vãs filosofias. Sentiu-se nova e renasceu.
Durmiu um sonho, sonhou um sono. A sensação era a mesma de quando caímos na água do mar enquanto antes o sol nos fazia arder. Alívio, alívio. Suspirava esse conjunto de letras.
Em seu sonho via uma luz forte e os anjos em volta dos seus pensamentos, uma cama para o seu coração. Lindas rosas, águas cristalinas. Vivia como uma princesa. O sol acordou. Acordaram juntos.
- Alô, Mãe? Olha eu não sei se você está bem para poder me ouvir e entender o que eu estou dizendo. Tive um sonho, acho que durmirei em paz logo, logo. Estou muito feliz. Se acontecer alguma coisa e eu não quiser mais voltar, a Jussara cuida de você. Ela cuida melhor do que eu, prometo. Mãe, quero lhe desejar todo amor do mundo e pedir perdão pelos meus maus comportamentos, mas a vida nos condiciona sempre à alguma coisa e por obvios que somos, seguimos o caminho mais fácil. Sinto se te magoei, mas espero que as lágrimas nossas possam ser esquecidas. Nos veremos em breve. Eu te amo, mãe.
- Eu também, filha.
Estava ansiosa para o dia que estava nascendo. Foi à cafeteria, com batom cor-de-rosa. Viu o seu rapaz, sentado e lhe sorrindo um sorriso lindo e iluminado. Ela atravessou a rua tão calmamente, sem observar as pessoas e o mundo. Ele estava acima desses bobocas que pensam ser melhores que alguém. Passou vagarosamente como esperando ver o farol enquanto seu sangue se libertava. Ele deu um grito tão alto, mas sem som, só ela pôde ouvir. Acordou no hospital.

(Continua)

amor

Lotus

18:00

Áureola de anjo.
Luz.
A terra era paraíso.
Pecados eram santidade.
Tudo mudou, quando te vi

Nenhuma rosa
De nenhum jardim
Cheirava tão bem quanto o teu olhar
Nenhum perfume
De nenhum país
Me fazia tão bem quanto te ver passar.

Um outro dia
Teu corpo sobre o meu
De verdade
Teu corpo sobre o meu
Adormeceu.

paixão

La bella solitaria II

10:36

Minas Gerais ficou enorme nas mãos de quem nunca a tinha conhecido. Tinha encontrado uma espelunca barata ("espelunca" foi só para dramatizar). Resolveu andar, caminhar na praia, sentar em um bar... Qualquer coisa que a fizesse ser o que ela queria. Foi à livraria, queria ler. Revirou todos os livros, em todas as seções e não achou nenhum que realmente a tentasse.
Sentiu um mão simpática e pesada em seu ombro direito. Virou-se. Foi como se o tempo tivesse parado para ela, ela teria esquecido de tudo só de ficar olhando-o. Olhos como de uma pintura viva, com traços tão perfeitos que pensou ser, na verdade, uma escultura em granito. Sentiu-se em uma exposição com tantas belas obras em um só corpo que a tocou.
- Sim?
- Recomendo-te este aqui, é um presente de mim para ti.
O livro se chamava "Sentimento abafado", eram poemas de pensamentos velhos tão velhos que se renovavam.
- Abra na página 63.
"Áureola de anjo.
Luz.
A terra era paraíso.
Pecados eram santidade.
Tudo mudou, quando te vi"
Sem entender muito bem, afinal... O que uma prostituta deveria entender? Pensou ela. O passeio estava completo, decidida iria embora amanhã mesmo, depois de durmir as horas que quisesse. Entrou no quarto pequeno, tomou um banho tão demorado, usou as loções que o presidente lhe dera. Descansou em um banho.
Deitou-se na cama só com o roupão no corpo tomando um vinho que trouxe na mala. Sem televisão, era para isso o livro que comprou, na verdade ganhou. Leu alguns com títulos cada vez menos entendíveis.
Sem perceber abriu na primeira folha depois da capa, havia um número de telefone. Para que servia? Em quem chegaria? Pensou no obvio, era ele, o rapaz esculpido pelas mãos de Deus. Como quem não tem nada a temer, perder ou ceder, ligou.
Ele era um poeta mesmo. Ela entendia cada vez mais o acaso e o destino como coisas destintas. Falou sobre o que pensava, na verdade... Nunca tinha decidido ajeitar suas idéias e opniões e foi jogando tudo fora naquele telefonema, nem sabia de nada, mas fez. A noite parecia uma eternidade.

(Continua...)

paixão

La bella solitaria I

12:58

Era um dia como todos os outros. Foi encontrar-se com o presidente, já era normal. Todos a questinavam o porquê desta vida que levava, mas na maioria das vezes era ela quem queria saber. Ajeitou o cabelo, o batom de sempre. Preciso de outro, pensou. Tinha olhos lindos, um olhar infantil... Talvez por isso tinha muitos amigos.
Que casa bonita ele tinha, ela não se cansava. Poderia ficar horas só admirando, não pelo preço ou pela quantidade de matéria. Mas a decoração tinha um cheiro forte de liberdade. Às vezes, inspirava tão fundo que esquecia de soltar. Ele chegou.
Fez o que tinha que fazer, sem nenhum amor, só o amor pela liberdade, pelo cheiro doce e amargo que ela tinha. Pegou o envelope, ao sair, que estava no mesmo lugar de todas visitas. Passou na casa da sua linda e velha mãe para ver se precisava de mais remédios. Depois sentou no bar com seus amigos. Para ela todos eram amigos, apesar de a olharem torto e de todos que a caluniavam. Ela os amava. Não tinha ninguém e nada que pudesse se apegar. A não ser a liberdade. Não entendia muito bem sobre as coisas.
- Mas o que uma prostituta deve pensar? Disse ela com tanto desdém como fazia na casa livre.
Não tinha drogas, não tinha sexo e nem roque. Esse lema é para os que se divertem com a vida e fazem piada dela. Ela só queria ter a oportunidade de amar a sua vida.
Pegou o dinheiro que tinha, fez uma pequena bolsa. Ia passar um final de semana em Minas, Brasília estava muito chato.

(Continua)

liberdade

Desabafo

14:44

Primeiro eu acordei e quis tocar em tudo o que via e apertar todos os botões. Mais tarde me senti culpada por todos os estragos. Não havia mesmo outro modo de crescer? Saí dizendo que eu já apertei os botões proibidos e que não tinham resultados bons. Que fosse bom no momento, já que é maravilhoso fazer o que você realmente deseja... Passei e passo por momentos de nostalgia. Acho que quando fui contar à todos o que era errado, achei uma máscara na gaveta. Quantos anos eu tenho? Queria que tudo crescesse junto. Não dá pra viver muito em pouco tempo sem confundir o início com o fim. Dá vontade de esquecer tudo o que defendo sem nenhuma razão e não defender mais nada. Estaria me contradizendo (Mas já não havia esquecido seus princípios?). O que é realmente certo e errado eu não sei. Sei que o amor é certo e eu vou buscá-lo, eu quero sentir de verdade e aí eu posso dar adeus à esse mundo e à angústia de entender o amor sem tocá-lo o suficiente. Talvez eu seja mais serva de minha mãe do que de qualquer força maior. Decidir esperar que durma em paz para depois ser feliz. Decidi esperar até que as minhas atitudes não a afetem mais. É muito forte tudo isso, não tem como não ser. Ninguém pode se esforçar para perfeito por muito tempo, porque cansa e nós todos deste mundo sabemos disso. Temos as mesmas vontades, estamos ligados. Fariamos as mesmas coisas se pudessemos, mas cada um coloca uma roupa, pinta o rosto e vai pra guerra. Ou fica em casa tricotando e obedecendo a qualquer pessoa. Não vou esperar de mim nenhuma atitude sã, para que quando a insanidade me tome eu esteja preparada. Somos tão covardes, minto... eu sou tão covarde e quero levá-los comigo para não doer mais. Deixe assim como está, deixe ser como será. Sei que não vou estar errada o suficiente para querer voltar. Estou me libertando.

(Ainda tem mais, outra hora eu lhes conto)

nota

Éramos

12:53

No domingo de tempos atrás,
Eu era tão você, você era tão ela e ela era tão eu.
Que nem sabia mais quem eu era.

nota

Nota

17:21

Quanto mais o tempo passa, mais difícil é acreditar nas pessoas.



[Confusão confusa. Explosão]

nota

Ô vida

13:04

A vida, às vezes, é muito má. Ou boa, esperta, irônica... Mas uma coisa eu digo, a vida tem vida própria (haha) Quem diria? Ela é que arma tudo e a gente culpa o destino, pobre do destino. Ele é uma força dependente de nós. Só faz o trabalho dele. [...]

Outro dia eu continuo.
A vida e o destino andam tramando contra mim (ou a favor), mas tá vindo coisa nova.

amor

Sonhos poéticos e a poesia sonhada.

13:01

Meu ouvido cola na tua boca
Timbres e sussurros que me arrepiam a pele
A música bonita em qualquer voz que não seja a tua
E o dia dorme conosco
E as estrelas, ah! As estrelas
Que no meio da noite ainda me fazem ver-te
É a minha boca agora que gruda na tua
Fala baixo, a cidade está durmindo
Deixe-me descansar nesse prazer, comer do teu fruto
És um lindo sonho
Rogo as estrelas que jamais se despeçam.
Pare o tempo. Não quero acordar.

(Saboreiem a minha inspiração, ela só vem de tempos em tempos).

Isabella Mariano

Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

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