01:10

as pegadas não me dizem nada
saber o início do caminho
não me mostra a direção
só me faz querer voltar
passo após passo

mas se é preciso pegadas
para voltar ao lar
será mesmo esse o lar
ao qual se deveria retroceder?

20:08

nem vejo mais o tempo passar
o tempo, esse velho doente
um desastre perfeito
cheio de dimensões
que transformam minutos em horas
que desmancham na pele
e caem por entre os dedos
feito água mole em pedra dura
e acelera o coração
dizendo que foi ontem
ou que vai ser amanhã
mas é sempre hoje
é sempre agora
e ensurdece
e cega
e puxa forte
e bate, espanca
e deixa o sangue coagular
só pra bater de novo
amanhã

12:41

o passado me lembrou ontem
quando te ver era paz
tinha afago, carinho
e certa ingenuidade
mas o tempo voa, dizem
e o agora é outro
sem balanço
sem conselhos
sem canções de ninar
hoje, é só você
e um pedido de desculpas

poema

18:54

tinha certo descontrole
no entrelaçar das pernas
a mão trêmula insistia em levar o copo à boca
tinha certo descompasso, também
na ânsia de favorecer a intuição
tentava não deixar que nada escapasse do olhar
e, por isso mesmo, as coisas lhe escapavam
como se fugissem dela
como se fosse melhor não saber
e, talvez, fosse mesmo
qual a melhor forma de fazer esse cálculo?
não sabia ela, nem o sabia eu
dois ignorantes ébrios
náufragos nesta ilha
rodeada de conhaque, vodca
e um pouquinho de limão

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.