01:45

não era mesmo, enfim,
o brilho da primeira hora
as cores que antecedem a noite
o perfume da recém desabrochada flor
nem tampouco o frescor da juventude
não era a devoção pelo novo
nem o desejo do risco
ou a canção de fé
entoada num transe espiritual intenso
o afeto que sentia
não era, de fato, o palpitar do coração
que se assusta e se encanta
com a arriscada queda da cachoeira
não era o céu ilustrado
recheado de lindas constelações
sabia bem
a paixão não era nada disso
mas, uma vez juntos, era como se fosse

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vês?
os descaminhos
os desencontros
observa-os atentamente
percebes a delicadeza que há no azar?
não, não percebes
teu olhar acusa o que foi um dia
teu olhar acusa a falta
pede a volta
do tempo dos encontros
quando tinhas todas as expectativas confirmadas
quando te sentias confortável com o previsível
comigo
talvez, se parasses para contemplar a falha
talvez, se notasses a beleza do fim
talvez, acredito,
talvez, verias como eu vejo

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.