22:05

I
Bastava encontrar a razão do seu viver; sua atmosfera, que seu coração de rocha metafórica tornava-se fogo ardente. Acelerava. Corpos, outrora celestiais, no momento eram puro desejo pecador, em busca da tão desejada colisão explosiva.

II
Assim que os viam, gritavam desesperadamente: "Corram!". Faíscas chegavam primeiro como um sinal de ameaça constante. As pessoas queriam se proteger do perigo que parecia ser quando eles insistiam em pôr os pés na Terra. Corpo e química na atmosfera. Um amor cadente.

(Feito em parceria com Juplin Jones)

21:56

comecei a sentir umas pontadas
sei lá aonde, acho que na imaginação
não quis marcar consulta pra saber
mas achei que pudesse piorar
procurei os sintomas na internet
câncer, medo ou estresse
fiquei confusa e quase desisti
foi quando li alguém dizer
"acho que estou ficando louco"
ah, bem! agora tudo faz sentido
não era nada assim tão preocupante
e o diagnóstico me dei às pressas:
sofro de uma loucura constante
mas antes que lotem o sanatório
me auto-mediquei sem medo
um poema-pílula a cada pesadelo

18:19

a poesia está em mim
eu sinto as dores do parto
os chutes das palavras na boca do estômago
volta e meia, entro em trabalho de parto
e o que nasce, não nasce pra mim
nasce pro mundo
parte

disritmia

23:56

senti uma dor no peito
o dia inteiro
como se quisesse dizer
qualquer coisa não dita
na esperança de que a boca
se abrisse sozinha
quase desmaiei sem respirar
mas logo pensei:
"acho que estou tendo
uma arritmia poética"

22:53

a imagem parece real
a imagem é uma imagem
a imagem de um cachimbo
ora pois, jamais será um cachimbo
ela é, realmente, uma imagem
e só

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.