10:25

aceito
não tão despretensiosamente
mas aceito

aceito sua ausência
seu perdão engasgado
aceito suas mentiras

é o preço de te ter por perto
por isso, ainda
aceito

23:44

ontem tava falando sobre a dor de conviver com o saber. e hoje me peguei pensando numa coisa: por que pessoas muito boas adoecem de formas tão trágicas?

cheguei a uma conclusão óbvia: não sei. talvez, não haja resposta para essa pergunta. talvez, não seja essa pergunta a ser feita.

aceitei minha ignorância. continuei triste, mesmo não sabendo.

preciso elaborar melhor.

01:04

o egoísmo é um tipo de cegueira muito difícil de curar

a gente nasce egoísta
uns buscam a sua cura
outros não

(tem também quem não foi avisado do problema.)

saudade

00:58

tá faltando um pedaço aqui
quando precisei, não vi
resta saber quem perdeu
se foi você ou se fui eu

televisão

00:38

eu tive vontade de escrever um texto motivacional, porque percebi uma tristeza exagerada nas pessoas. depois pensei que essas coisas quase nunca são efetivas (para a cura). esses livros, esses textos, essas imagens são como analgésicos. aliviam a dor que estala constantemente em nossa existência. mas ela volta. observem, porém, que não faço um juízo de valor, analiso apenas a praticidade do procedimento.

tem gente que gosta de depender de analgésicos. tem gente que gosta de depender de outras coisas. fico me perguntando se sempre precisaremos de "coisas para depender". e isso me doi. por isso, passo muito tempo assistindo televisão quando penso demais em minhas dúvidas. é o meu analgésico.

uma coisa que me entristece é saber que o saber é uma dor, uma dor como aquele espinho na carne de paulo. uma dor meio que naturalizada, que anda com a gente, acorda, vive, dorme e morre com a gente. tudo soa meio triste quando coloco nesses termos. o saber envolve tantas coisas boas, mas acho que isso fica só no início da vida, quando tudo é descobrimento e novidade. depois: só desgraça. e tudo isso nos consome por dentro. (pensei em incluir uma frase motivacional aqui, como: "precisamos recuperar a sensação da novidade", mas acho que você também pensou nisso)

não me sinto deprimida. me sinto até muito feliz, talvez privilegiada. gosto de ver televisão, ler meus livros. gosto de observar minha estante perder espaço, gosto de tomar um banho quente quando está bem frio. gosto de abrir a geladeira e ter algo bem gosto pra comer. gosto de ter amigos e de poder beber cerveja com eles. gosto de saber escrever e, principalmente, de poder escrever poemas. gosto de dormir, apesar da infernal dor na coluna, em minha cama confortável (com meu cobertor confortável). gosto das coisas boas que tenho. gosto de toda aquela baboseira importante: beijos, pôr-do-sol, carinho, sorriso, etc e tal.

mas carrego a tristeza do mundo comigo. como se fosse um objeto a ser observado, estudado. volta e meia acendo a luz da esperança. mas, confesso, às vezes, eu a apago. quando isso acontece, me apego a um dos meus poucos pensamentos motivacionais: poderia ser pior.

e assisto televisão.


3

14:57

tive um pensamento em vão
porque é certo que não sei voar

ou será que de tanto pensar
conseguirei?



decidi parar as divagações por aqui

2

14:56

passou um tempo
ainda fitava aquela foto
lembrei que pra voar
não precisa nem de pé

nem de chão

1

14:55

parei em frente à janela
vi aquela foto e pensei:
só se anda com o pé no chão

Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

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