01:38

um amansa e o outro agita
ou outro agita e um amansa
ou outro agito e uma dança

13:15

qui est la plus belle?
dis-moi, qui est laquelle?
je pense que je t'aime
mais quel est ton nom?
j'sais pas
je rêve à toi, mon coeur
mais aprés, j'oublié
pardon, pardon

21:56

cansada. mas do futuro. cansada de pensar no que virá, em como terei que agir, reagir. no que precisarei fazer. a dor que terei que enfrentar. o desemprego. a correria. as contas que terei que prestar (e pagar). pelos meus excessos. pelos meus erros (erros?). cansada só de pensar no olhar das pessoas. "que louca". cansada de ter que ser social. de precisar me esforçar sempre para que as relações sociais sejam mantidas por conversas agradáveis e "boa tarde"s. cansada até de não me encaixar nisso tudo. é um cansaço estranho. quase uma estagnação. não, melhor, um comodismo. cansei e é assim que será. pessimismo? passa, eu acho. é como otimismo. e nada acaba, como diria dr. manhattan. mas se nada acaba, nada dura... hm.

Carta a Georges Izambard (Rimbaud)

00:10

Charleville, 13 de maio de 1871
Caro Senhor!

Ei-lo novamente professor. Devemo-nos à Sociedade, disse-me o senhor; o senhor faz parte dos corpos de ensino: o senhor vai no bom caminho. – Eu também, sigo o princípio: faço-me cinicamente sustentar; desenterro antigos imbecis do colégio: tudo o que posso inventar de idiota, de sujo, de ruim, em ação e em palavras, dou a eles: pagam-me em canecas e em moças. Stat mater dolorosa, dum pendet filius.2 – Devo-me à Sociedade, está certo, – e tenho razão. – O senhor também, o senhor tem razão, por hoje. No fundo, o senhor só vê em seu princípio poesia subjetiva: sua obstinação em voltar à manjedoura universitária – perdão! – o prova. Mas o senhor sempre terminará como um satisfeito que nada fez, já que nada quis fazer. Sem contar que sua poesia subjetiva sempre será horrivelmente enfadonha. Um dia, espero – muitos outros esperam a mesma coisa –, verei em seu princípio a poesia objetiva – eu a verei mais sinceramente do que o senhor seria capaz! Serei um trabalhador: é essa a idéia que me retém quando as loucas cóleras me impelem para a batalha de Paris3, onde tantos trabalhadores ainda morrem enquanto lhe escrevo! Trabalhar agora, jamais, jamais; estou em greve.

Agora encrapulo-me o mais possível. Por quê? Quero ser poeta, e trabalho para tornar-me vidente: o senhor não compreenderá de modo algum, e eu quase não poderia explicar-lhe. Trata-se de chegar ao desconhecido pelo desregramento de todos os sentidos. Os sofrimentos são enormes, mas é preciso ser forte, ter nascido poeta, e eu me reconheci poeta. Não é absolutamente minha culpa. Está errado dizer: Eu penso. Deveríamos dizer: Pensam-me. Perdão pelo jogo de palavras.
EU é um outro. Azar da madeira que se descobre violino, e danem-se os inconscientes que discutem sobre o que ignoram completamente!
O senhor não é professor para mim. Dou-lhe isto: será sátira, como o senhor diria? Será poesia? É fantasia, ainda. – Porém, suplico-lhe, não sublinhe nem com lápis, nem demais com o pensamento:

CORAÇÃO SUPLICIADO

[...]
Isso quer dizer alguma coisa.
RESPONDA-ME, endereçando ao sr. Deverrière, para A. R.
Bom dia de coração,
Arthur Rimbaud


(Extraido de http://www.scielo.br/pdf/alea/v8n1/10.pdf)

te amo

18:16

não quis te ver
(ver é pouco)
te senti
de todo jeito

fui aquário
e você peixe

te contaminei

lapa

18:15

negros, os olhos
pretos, os cantos
sóbrias, as esquinas
ébrios dionísios
e pardos, à noite

poema

18:13

saudade de te ligar
e falar: vem aqui
e você aparecer
e a gente ficar rindo
de bobeira sem fazer nada
de útil pro mundo
só pra gente

(escrito em 2010 ou 2011)

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.