poema

velha história

00:33

lembra

o tempo andava devagar
e a gente se via todo dia
era uma loucura
depois
cabô
foi choro e dor
ai meu deus
tchau pra você
e você veio,
beijou meu pés, meu joelho, meu
mas não deu
e aí aquela história
minha flor te deu alguém
pra amar
foi lá, beijou beijou
ficou até cansar
cansou, fez-me um chamego
tava triste, mais solitário que um paulistano
beijou até suar o pano
mas aí cê nao acredita
foi um tchau duplo
uma coisa assim
"por que cê veio de novo?"
era um tchau, não vai
mas aí foi, com a flor
que tava meio esmagassada
mas reviveu no amor
e eu fiquei aqui
no jardim da vida
feliz, sabe né
o meu amor sou eu.
por enquanto.

00:32

subi lá

pra ver onde cê tava
tava não
da janela, tchau
mandou embora

Texto de final de ano

16:24

Grandes coisas, boas coisas e coisas ruins aconteceram. Nada mais normal, igual. O que faz ser diferente é a maneira como essas coisas nos mudam, nos sensibilizam (ou não), nos irritam, nos matam ou nos dão vida. A cada ano que passa vejo minha independência mais perto, andando devagarzinho e tudo isso tem acontecido por que eu tô lutando com esse objetivo, nunca me esquecendo de agradecer aos que me ensinaram a voar.
Por outro lado, quanto mais o tempo passa, mais eu me vejo dependente de Deus. Toda essa coisa com a minha espiritualidade, que incomoda muitos e agrada outros – tanto faz pra mim – é o que realmente me move. E me move a ser independente do favor humano, do dinheiro e de tudo o que está aqui. Tive a oportunidade de fazer um curso chamado “escola de líderes”, oferecido na igreja onde congrego. Aprendi a me liderar e a ser humilde. Uma das recompensas de tudo o que vivi nesse curso é ouvir: “Deus está te dando um caráter massa, aproveita isso”. Estou me tornando uma pessoa boa e sábia, o que não quer dizer alguém que nunca erra ou que não fala asneiras.
Convivi mais com um grupo de amigos muito especiais pra mim. Aprendo demais com eles, sobre tudo. Principalmente que amor é amor, não importa quem você é ou como você vive. A e B, a gente se mistura, ouve um samba, ri e até joga imagem e ação. Haha. “Você fica chateada quando fazemos isso?”, me perguntou. Talvez, sim, não. De que isso importa se eu sinto amor? Se quiser ouvir meus juízos de valor eu falo, mas cês já sabem quais são.
Alguns laços de amizade foram rompidos de verdade, sem ódio, foram corroídos pelo tempo. Tristeza, mas uma saudade alegre e o “feliz aniversário” de praxe. Outros laços ficaram frágeis, distantes, perderam o significado. Ainda é tempo. 2011 pode mudar isso. Fiz muitos amigos, transbordei amor a todos eles – e aos não amigos também. Aqueles que eu nem imaginava amar tanto, acabei me rendendo. Deus está me ensinando a amar, inconsequentemente e sem restrições.
Concluí mais um ano do curso de teatro. É uma das minhas paixões. Mas quero experimentar outra coisa: a dança. Contemporânea, ainda. E o ano que está vindo vai me dizer onde isso vai dar. Estou aberta ao experimentalismo. Tentar e por que não?
2010 também me deu muitos sonhos, sonhos maiores que os meus, que vêm de Deus. Provavelmente, não se realizarão em 2011, mas se realizarão. Sei disso.
Passei a conhecer melhor as pessoas com quem convivo. Aprendi a me abrir mais, da maneira certa, a pedir perdão (esse ensinamento foi o mais difícil, mas é lindo ver como aprendi). Aprendi, ou melhor, Deus está me ensinando a esquecer as coisas, o passado, os traumas, os amores. Cura. Dói muito, mas nada compensa o resultado.
Não escrevi muito em 2010 (algo que irei mudar ano que vem!). Mas é por que esse ano foi diferente, singular. MUITAS mudanças, mudança de fase, de rotina, de amigos, de vida, de ideologia, de comportamento. De t-u-d-o. Minha cabeça se transformou numa máquina de ideias e o meu corpo num instrumento. Penso e me preparo para executar, depois de ter planejado. É assim. E que venham as ideias de 2011.

Feliz ano novo!

prosa

O amor. Ah, o amor.

22:36

Como uma arpa, eu queria ser tocada. Em nada menos clichê, eu poderia ter pensado agora. Afinal, quero mesmo é amor. E o amor é a mais sublime multisignificativa palavra que existe. Numa compilação de milésimos, respirei e você soprou. Conectei-me, como a uma estação de rádio. E, incrível, como é possível encontrar a sintonia perfeita. Não falo de paixão não! Digo, não só de paixão. Porque se eu respirar o sopro do meu amado, da minha amada, do meu filho, do meu companheiro, bem, estou então amando. E eu me conecto. Posso até ligar minhas sinapses na sua. Troco tudo com você. Porque amor é sacrifício. Mas - ei - eu não disse "por você". Dá quase no mesmo. ("mas para casar, você não pode ser racional não" ouvi hoje, depois de uns goles, a fala de quem é loucamente apaixonado pela sua esposa). É isso! É coisa de sentimento. Não faz sentido dicionarizar tudo, o casamento, a cópula, os sentidos. Que vêm lá do fundo, como uma onda... Sonora. E, se me for permitido pensar agora, a conexão segura só se faz quando há a frequência adequada. Que procura dolorosa e inegavelmente divertida. Frequências. Mas quando for para amplificar, eu amplifico e caso. Por que não? Assim, tem que ser sem pensar mesmo. Se for analisar, descasa! E aí o fim que era pra ter acontecido, dá lugar a rotina. 100, 101, 101.2. Passo o olho no livro: Inveja. Não é cobiça. É querer tirar o que o outro tem. E se isso tem a ver com a arpa, com o sentimento ou com a frequencia já é outro departamento. Mas que é irracional, é. Como tudo nessa vida. Vai entender o que é isso. Mas nada mal, nada mal... Parei numa frequencia e desliguei o rádio depois disso. Sei lá qual foi a música que me traumou. Deixa assim. Colocar as moedas no porco, comprar um rádio novo e, então, quem sabe. Mas pode ser que. Numa dessas, o Seu tal ligue o rádio na padaria ou a moça do churrasquinho me sintonize ou a estação do cinema, do mercado, ah vai saber. Quem sabe! Se eu começo a tocar no rádio de alguém, já viu né.

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.