nota

Note

19:34

Everytime a see your eyes and your face with this little crazy beard, I have to confess... I feel mad. Totally lose control. But you can't see these things, because i don't share... That's my choice, but i can't deny... You are amazing.

poema

A viagem

21:49

E se eu tivesse alguma coisa para vender
Um rádio, um pátio, uma tevê
Vendia tudo e ia aí te ver

Abria mão do que me dizem que é
Do frio, do riso e da maré
Só freio, no carro e a marcha-ré

A estrada à espera de uma bela donzela
Intensa, uma louca, moleca
No rosto um sorriso à cautela

E ia, sozinha. Acabou a rima.
Ao encontro, do que tanto lhe custou
Era quem que merecia tanto amor?
Era ela, a liberdade em forma de ar.

cotidiano

Última fase

01:42

O Sol estava dizendo adeus, quando ela, sorridente e cansada da vida trágica que criou, estendia seus bonitos olhos ao distante horizonte sobre o lago. Alguns cascalhos encontraram as palmas de suas mãos enquanto uma doce velhinha alimentava os pombos.
Riu, novamente. Uma sinfonia parecia acompanhar seus passos. Dois bonitos adolescentes se beijavam, esperando os últmos raios da primavera. Ela sussurrou, para o vento levar:
- Não acredite.
Nada iria lhe tirar o sorriso de uma vida vivida. Cheia de realizações e frustrações, bem do jeito que quis. Um casal, jovem, com dentes cintilantes, comemorava o tamanho da barriga da moça. Parecia ter gostado. A experiência de ser mãe é sempre única para cada uma que a vive.
Sentia-se, enfim, realizada. Viveu uma época estranha, difícil de criar uma identidade. Muitas coisas surgiram e sumiram ao mesmo tempo.
Ria, de novo e de novo. Das desventuras de ter passado seu colegial num bairro nobre, negando seu status. Depois, sorriu de canto relembrando os amores que perdeu, que negou ou que estragou. Uma pitada de si era sempre overdose para os homens, costumava dizer.
Afinal, tornou-se o que sempre quis: uma mulher sábia. Seus netos ficavam inertes quando dava a entonação certa de um novo conto. Era amada. Seus filhos a amavam, seus ex-colegas de trabalho a respeitavam, seu marido era apaixonado por quem se tornara. Reclamar de quê? Da indecisão na primavera, do medo no inverno, das loucuras do verão? Tanto faz, agora já foi...
E por quanto tempo mais esperasse, só isso ela dizia, alegre como deveria ser:
- Já foi.
Depois de alguns minutos, sentada no banco do parque, um toque leve lhe encostou o ombro. Não era ninguém além de seu amado, desculpando-se pela demora. Comprou café. Que tarde maravilhosa tinha sido aquela. Era essa, então, a vida de um velho. Não rejeitado, não excluído, mas amado.
- De todas as decisões que tomei, você foi o único que soube tirar minhas indecisões. Obrigada por esta vida maravilhosa.
Foi assim que disse a seu fiel companheiro. Abraçados, num frio íntimo que resolveu chegar com a noite.

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.