Deus

Someone above us

22:38

Olhe a sua volta, alguém fez isso tudo antes de nascermos. Não fui eu. Nenhum de nós, seres humanos. E eu admito, reconheço que foi alguém acima de mim. Soberano, Deus. Não é sobre religião que falo. E sim, sobre ser uma boa pessoa. Sabe? E ser uma boa pessoa não é só ajudar os outros, não é apenas sorrir para alguém. Porque é muito fácil dar um sorriso, mas o difícil é morrer para si mesmo por alguém que fez tudo para você. Não, não falando de igreja, nem de protestantismo.
Poxa. A gente erra tanto, estraga tudo o que Ele fez. A gente peca. Eu sou uma pecadora e vou ser até o dia da minha morte. Como me desculpar por isso? Como? Fazendo ofertas, sacrifícios. Mas Deus, com sua misericórdia (ainda não entendo isso haha), viu que nenhum sacrifício seria suficiente - porque Ele é IMENSO - enviou seu primeiro e único filho para morrer por nós. Então, você pode vir e dizer que você teria coragem para fazer isso por alguém também. Claro, eu também teria. O negócio é que Ele (Jesus) veio pelos meus pecados. O Cara nem me conhecia. Mas Ele veio, como homem, foi humilhado, ridicularizado, perseguido, espancado, sofreu e morreu da maneira mais ridícula e desprezada, na época: na cruz. E ainda assim, não reclamou, teve misericórdia até seu último dia de vida. Você tem noção do que isso significa?
Eu quero dizer...Bem, falam de amor até enjoar, mas amor como esse, não há igual. Como eu posso ignorar isso? Desculpe se eu te magoei, mas tem alguém que fez algo muito maior por mim. Como posso ficar calada? Eu iria estar condenada, mas Ele me livrou de toda condenação e sou livre.
Como eu ainda posso ser tão má ao ponto de pecar conscientemente? Como ser tão desumana? Ignorando o que Ele fez por mim. Desculpe, de novo, mas eu não farei isso.
Não é sobre religião, é sobre a verdade. Sobre ser livre, sobre ser bom.

Novidade!

18:32

Quem vem aqui ler, raramente, ou já leu e tá voltando agora. Ah, sei lá e tanto faz. Alguém que quiser, visite meu novo blog. Sabe quando não se tem mais o que fazer? São nesses momentos que inventamos as coisas mais loucas. E aí está minha mais nova insana invenção:

nota

Protesto

11:48

parem de prostituir a poesia. leve-a a sério, como quem brinca de ciranda. vocês a vendem por qualquer coisa. para ser conhecido. que adianda? poesia é presente divino. não se iludam escrevendo só sobre o que convém dizer. não. não escreva poemas para inchar um livro. escreva, porque sente. sinta a dor de todo o mundo. é o bastante para milhares de livros. sinta o outro, interesse-se pela vida. aí eu posso crer que você é um poeta. poesia está em tudo. é um estado da matéria, ou melhor... é uma condição. o poema é a tentativa frustrada de tentar passar para palavras o que se sente. é impossível. vocês, escritores e poetas, que acham que escrever é tudo na vida, que é o melhor que há na terra, estão muito enganados. o melhor que há é sentir. sentimento é o que rege o mundo, a humanidade... e os poemas.

poema

23:37

a um passo do abismo
aliás
da estrada vertical
que leva a qualquer lugar
que eu deva ir
a vida deixou assim...
sigo.

cotidiano

Aniversário

12:56

Estava refletindo comigo e pensei em quantas vezes disseram que eu não parecia ter a idade que tenho. Mas o que isso significa, afinal? Estatística?
Ontem foi o dia em que nasci, porém há 17 anos atrás. É bom, mas estranho, ao mesmo tempo. Dormi com 16 e acordei com 17. Em algumas horas, passou-se um ano para mim.
Mas, sinceramente, idade não é algo tão relevante em comparação ao que se tem de conhecimento a oferecer.
Motoristas, precisam de idade. Juízes, precisam de idade. Farmacêuticos, cientistas, pilotos, soldados, marinheiros, desembargadores, servidores do estado... Desses sim é exigida idade pra exercer o seu ofício. Eu não preciso de idade. Nem eles. O estado, o mundo precisa que cresçamos numericamente.
Não me sinto nem acima, nem abaixo. Estou aonde deveria estar, sei o que eu tenho que saber por enquanto e faço o que eu devo fazer. Estou no lugar certo. Onde a vida me colocou. Apenas mais uma mente diferente, no meio de tantas outras.
Olhando por outro ponto de vista, viver o meu décimo sétimo ano será dinâmico apenas pelo fato de que irei fazer vestibular. Se não fosse por isso, seria um ano normal e comum Principalmente, porque quero passar por ele correndo para sentir o gosto da maioridade. O que é, em suma, a função do 17º ano de nossas vidas: um ano de transição, cansativo, mas nobre.
Contudo, daqueles que menos esperamos são os que mais nos surpreendem. É claro. Eu só espero coisas boas da vida, se for em excesso, aí ficarei surpresa.
Falando em surpresa (e mudando o assunto), acho um saco essas festas de aniversário quando não avisam para o aniversariante. Não, não fizeram para mim. Graças a Deus. Me sinto "a" otária, todos rindo e pensando "oba, conseguimos enganá-la", mas sempre com muito amor no coração. Ok. Dispensável.
Ao invés disso, eu saí para comer pizza com pessoas que gosto. Confesso, nem todos os meus amigos me ligaram. Nem todos me deram um abraço. A maioria não veio me ver. Algumas mandaram mensagem SMS, outras pelo MSN. Mas a grande e pesada maioria utilizou o Orkut como ferramenta principal e quase oficial para desejar-me boas coisas.
Eu não me importei e, aliás, não me importo. Quem tem que comemorar o meu aniversário sou eu. Eu que estou comemorando estar viva, eu sei das minhas conquistas e fracassos, sei meus sentimentos, sei o quanto mudei desde que nasci. Eu sei os lugares que fui, eu sei o que sinto ao sentir um cheio ou comer algo. Eu que devo comemorar. Mas sou solidária e divido minha felicidade (e pizzas) com pessoas que têm sido essenciais.
É a vida. Há alguns anos, achava imperdoável não irem a minha festinha de comemoração. Ou melhor, festão.
Quanta coisa boba a gente deixa no caminho. Tantos conceitos novos, um olhar diferente para tudo. Isso sim é motivo de comemoração, isso sim é fazer aniversário.
É amadurecer.

paixão

A paixão dissertada

19:06

Diz-se de apaixonado, quem é dominado pela paixão. Quando perdemos o completo controle para algo que nós mesmo criamos. Perdemos o controle para nós mesmos. Um imenso paradoxo, totalmente, aceitável para quem já sentiu.
Durante anos, acreditei que paixão estivesse desvinculado, de uma vez por todas, do tal do amor. Quase opostos. Devido ao fato de ter visto tantas tragédias em função da paixão.
Todavia, caríssimos, a vida me deu um ensinamento muito mais valioso do que aquele que eu acreditava.
Paixão é um sentimento em excesso. Na verdade, é amor em demasiado. Tendo em vista que amor é o conjunto de tudo o que há de bom, com o elemento x, extra na mistura, concluímos, então, que paixão é bom até demais.
Tão bom que pode confundir o ser humano. Afinal, a sementinha do mal está implantada no nosso coração. Nascemos chorando e chamando a atenção. Fulos da vida por ter que aprender a respirar levando um tapa. Crescemos egoístas, tomando posse de todo ser ou coisa existente. Até um certa idade, isso é bem aceito. Quando os anos passam, a gente vê que a vida é uma escola e acaba aprendendo. Sem esquecer que tudo tende às más ações.
Ah, mas agora vocês já devem estar discordando de mim e irão comentar suas opiniões formadas e seus pré-conceitos. Antes de qualquer coisa, quero dizer-lhes que tenho uma essência pecaminosa (perversa). Contudo, sou uma pessoa boa, porque sou apaixonada.
A paixão libera dentro de nós algo que nunca pensaríamos sentir. Exalamos coisas boas e agimos para o bem. Conheço pessoas que não são apaixonadas e vejo o resultado desse desastre. É terrível.
Quando você sorri para alguém na rua, é a paixão pela alegria que impulsionou sua ação. Quando ajudamos alguém, ocorre devido a paixão pela amabilidade. E assim vai.
A paixão, ou o amor em excesso, é que implica no funcionamento do bem. Exatamente por isso que sou apaixonada pela vida, pela alegria, pelo amor, pela partilha, pela compreensão, pela solicitude, pela amizade, pela união, por Deus, pela humanidade, pelo toque...
É o que eu desejo à você, amados, sejam apaixonados por tudo o que fazem. Apaixonem-se pelos seus sonhos, pela sua família. Amem demais seus amigos e amores. Sejam eternos apaixonados para não cooperarem para o mal, que traz consequências irreversíveis.
Não sejam auto-destrutivos e contribuam pela vida!

amor

Discurso exclusivo

20:13

Era um dia como outro qualquer, mas por incrível que pareça, esses são os mais imprevisíveis. Passava a tarde com Fernando, novamente. Ele tentava explicar-me seus cálculos algébricos, sem saber como aquilo me cansava. Um verdadeiro martírio. Contudo, dei um basta naquela perda de tempo. Disse que iria preparar algo para comermos. Cinco minutos depois, estávamos sentados, assistindo televisão e comendo pipoca. Era fácil persuadí-lo.
Nós nos divertíamos, facilmente. A capacidade que ele tinha de me fazer sorrir era imensa. Ríamos do filme, da fita fora do lugar, do cheiro de cigarro, do jardim lá fora. Quando estamos felizes até tristeza é motivo de alegria. Viviamos assim. Amigos há quase dez anos. Companheiros fiéis. Inabaláveis.
Resolvi relembrar minhas memórias e lhe mostrei fotos da minha infância. Quando estava revirando todas as gavetas, deparei-me com uma pulseira singela que continha um pingente minúsculo em forma de coração. Naquela hora, levei um choque e me senti com sete anos de idade, outra vez. Lembrei-me do rapaz que eu gostava. Escrevia até poemas. Poemas de criança, entenda. E o objeto que me fez entrar em transe foi um presente, mas que não veio sozinho. Foi acompanhado de uma declaração simples. Aos sete anos um "eu gosto de você" era fatal.
Nessa hora, meu semblante deve ter mudado. Recordei a atitude que tive. Eu neguei o meu amor pelo pequeno Marcos, perdi o meu momento e o meu primeiro amor.
Decidi, instantaneamente, que não queria mais perder momentos. A vida nos dá as oportunidades, se a gente não estragar nada, tudo vai dar certo.
Mostrei a pulseira a Fernando. Ele sorriu, tentando imaginar o que representava aquele acessório. Exclusa, mas brilhante. Talvez fosse uma personificação minha.
Sorri, como quem quer algo. Disse que estava cansada de deixar para depois o que eu quero hoje. Disse coisas que nem faziam sentido. Disse e só. Olhei-o, determinada.
De maneira surpreendente, Fernando sorriu, mas foi com os olhos. Confortomou-me, de imediato. E beijou-me.
Essa é a essência do amor. Entendi, juntamente com meu amigo, amado e parceiro que o amor está na cumplicidade. Éramos cumplices de uma história. Amantes de olhares. Nos entendiámos pelos gestos. Ele sabia das minhas intenções, antes mesmo que eu o olhasse. Porque estávamos ligados, estamos ligados. Somos, agora, um. E para sempre.

Querida Marta,

Este foi o esboço que fiz para dizer, em forma de discurso, no dia após a cerimônia de casamento. Por favor, minha irmã, analise segundo seu olhar criterioso e diga-me se gostou. Provavelmente, ele irá amar o flash-back.
Os vestidos estão prontos e estão aqui em casa. Venha logo no ínicio da manhã para deixarmos tudo em ordem. Preciso de você mais do que nunca.
Até amanhã. Será esplêndido.

Beijos,
Ana.

conto

Antigas relações

18:30

Decifrava-me com seus mistérios. Que paradoxo foi a nossa juventude. E agora nem isso, os bilhetes que me deixava estavam escritos, no máximo "18h estarei aí". Que espécie de relação é essa? Talvez amor ao próximo, sem querer mal algum, sabe? Mas de bom, já esgotaram as opções. Que mal há em repetir o que se fez há 10 anos? Eu não me importava. Nem lembrava mais o gosto das sensações.

Treze de agosto foi a data de uma das tardes que ele me ligou dizendo que queria me ver às 19h, no parque central. Até estranhei, porque nossas reuniões (e não encontros) eram sempre em bares ou restaurantes. Discretos. O parque era muito nostálgico.

Mas eu nunca fui de passar a mão na cabeça de bandido. Se errou, tem que suportar as consequências. Nunca pedi pra ninguém amenizar meus problemas. Pô, tudo o que passei foi culpa minha. Quando não era, eu dava prejuízo pro culpado.

Beleza. Não vou mentir que fiquei roendo as unhas até dar a hora. Consultei o relógio e faltavam trinta minutos. Foi o tempo de conseguir chegar lá. Sentei no banco do parque e olhei em volta. Estava deserto. Por um segundo, temi o que fosse acontecer. Luciano nunca foi bom das idéias e essas coisas de amor ao próximo era coisa de religião, segundo ele.

Havia passado quinze minutos e ele não apareceu. Meu coração estava pulsando mais rápido. Olhei a rua e o trânsito estava diminuindo. Uns garotos passaram, gritando e saqueando um gringo na esquina.

Olhava entre as árvores e parecia que um cheiro de medo estava vindo no ar. Eu nunca fui de ter medo, mas acreditava, fielmente, em intuição feminina. Mais vinte minutos se passaram e eu já estava aflita. Queria ir embora, porém no fundo sabia que ele viria. Senti um leve sobro nas orelhas, quando olhei para trás era ele. Com o olhar demoníaco de sempre. Prendi o grito e tentei sorrir.

"Estava quase indo embora" - Foi o que consegui dizer. Ele riu, tentando desfazer seu semblante malvado. Mas eu já conhecia. A conversa veio apressada e o ponto central, também. Disse-me que precisava de dinheiro e que sentia saudades do que fazíamos há anos. As parceiras que ele arranjou nesses últimos tempos não eram eficientes. E ninguém mais estava disposto.
Falei pra ele que eu nunca fui de passar a mão na cabeça de bandido e nem ia fazer. Mas ele sempre foi muito persuasivo e me convenceu. Aliás, já tinha me convencido antes mesmo de dizer qualquer coisa. Eu só me mantive durona.
Levei-o para minha casa. Ele ficou deslumbrado com o que eu havia conquistado com muito esforço. Zona sul, claro. Mas tive que pegar no pesado.

Ele riu, distraiu-se com os móveis e disse que se arrependia de ter me deixado. Eu falei que essa coisa de se encontrar só quando ele quer não estava me agradando. Incrível, ele fez todas as minhas vontades. E eu fiz café.

No outro dia, de manhã. Luciano havia escrito uma carta de dez linhas. Grande avanço. Dizendo sobre seus planos para aquela semana. Enquanto ele trabalhava em outros projetos, eu preparava tudo para o que faríamos juntos no sábado.

Na segunda, comprei o necessário. Terça, agendei os lugares. Quarta, fiz umas ligações. Na quinta, convidei amigos. E na sexta, tratei de que ninguém nos atrapalhasse.

Quando chegou sábado, ele acordou sorridente e eu já estava de pé. Ansiosa. Saudosa. Estava marcado para às 22h, perto do restaurante Lola.
Às 21h estávamos, de longe, observando o movimento. Como duas crianças que apreciam a vitrine antes de comprar o doce. Deu 22h, o presidente saiu do restaurante com um segurança, nós o seguimos e batemos de frente com seu carro. Deserto violento. Desesperados, foram nos socorrer. Nessa hora, Luciano deu uma chave de braço no segurança e, em seguida, três tiros. Enquanto eu, no trabalho da mulher, puxei o poderoso chefão pelos cabelos, ameaçando-o de morte.

Se eu tivesse aceitado tudo o que ele me ofereceu, não estaria aqui. Mas eu não abriria mão do meu último suspiro.

Nós o levamos até um terreno distante e o matamos. A perícia publicou para a imprensa três tiros: um na cabeça, um no coração e outro na mão. Mas foram sete. Luciano deu os outros quatro tiros.

Fomos pegos, claro. Não demorou muito. Mas foi maravilhoso. Foi tudo o que eu queria para poder morrer ou ser presa, a mesma coisa. Porque eu fiz o mundo parar. Eu fiz a história mudar. Eu fiz. Minha morte foi por uma boa causa. A minha e de meu eterno parceiro: Luciano, morto com sete tiros. Outros sete, que ironia.

Canalhas! Vocês me pagam...

diálogo

Mister

22:32

- Acho que isso está mais para um desejo.
Tremi na base. Será que ele havia descoberto meus desejos, anseios e aspirações? Maldito. Agora ele sabia demais.
- Por que diz isso? - Perguntei.
- Pelo jeito com que me olhas.
Pronto! Havia decifrado-me.

poema

Chuva

01:57

Cessa, chuva!
Que pressa é essa?
É saudade.
Do povo da aldeia,
Do cheiro da sereia.
É saudade.
Da preta assanhada,
Da noite inacabada.
De dois aviões
Pombos no deserto
Sobreviventes da tempestade
De saudade que se vive
Por isso chove.

Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

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