liberdade

Fase de crescimento (eterna)

17:00

Não quero ser bela aos outros olhos se não for bela aos meus próprios olhos. Mas busco ser. Vivo num paradoxo, ilusão que, às vezes, é só mais uma antítese, uma metáfora complicada e ignorada. Como em passos de uma dança, tudo sincronizado. Separado e misturado. Quero meu carro, uma casa, minha identidade e meu INSS. Meu cabelo preso naquela correria. Talvez seja pior do que esse "bem-bom" - para os mais antigos -, mas com certeza meu ego descansará. Minhas vontades serão realizadas se eu lutar para isso. Não que eu nao consiga nada assim e agora, mas é muito mais difícil, outras vontades eu já sei que devo ignorar e guardar na memória. Só quero diminuir essa distância da música boa, dos corações apaixonados, dos amores impossíveis, da cultura defendida, porém tão escondida. Essa distância da verdade, e do "viva a vida do seu jeito". Quero acabar com a proximidade a ignorância e intolerância religiosa. Vou equilibrar o que eu quero, preciso e devo. E vou tentar.

cansaço

Cansaço

12:55

Quanto mais o tempo passa, mais o mundo nos puxa. Como em uma cama de tortura, cada vez mais e mais. Nos obrigando a ter qualquer reação, só pra não ficar parado. Minha olheiras do cansaço são permanentes, agora. Meu cabelo embaraçado já não me incomoda mais. Meu armário bagunçado e roupas perdidas fazem parte da rotina. O meu romance platônico é possível e isso não me surpreende. É cansaço. O legal é quando a gente lembra que tudo podemos, que o céu é azul e não preciso saber o porquê, que plantinahs e animais são como nós, mas nós os comemos, e o porquê também não sei. É legal errar e não se importar, jogar tudo pro alto e esquecer que vai cair tudo na sua cabeça alguma hora. É muito bom. Ruim é quando não se pode fazê-lo. Eu não posso, e não sei porquê.

amor

Faça isso sempre que eu te esquecer

19:20

- Alô? - Ele
- Oi. Tô ligando pra te avisar que hoje não vai dar. - Ela
Fim da ligação.
- Oi. Tô retornando pra dizer que a bicicleta quebrou, não daria. - Ele
- Tá chuvendo. - Ela
Fim da ligação.
- Resolvi ligar de novo, tá escuro, nao enchergo os acordes que você me ensinou. - Ela
- Tenta visualizar mentalmente, você consegue... e canta aquela. - Ele
Fim da ligação.
- Desculpa ligar de novo, mas é que tem alguma coisa errada - Ele
- Com o telefone? Deve ser porque tá chuvendo muito, tá sem luz... Não sei. - Ela
- Era outra coisa, mas isso, realmente, parece mais importante - Ele
Fim da ligação.
- Tô indo praí, tá chovendo, o pneu da bicicleta tá furado, você nao lembra a música. - Ele
- Mas... que horas são? - Ela
- Hora de ir te ver. - Ele
Fim da ligação.
Menino, chuva, escuro, pneu furado, olhar tristonho.
Garota, porta, olhar temeroso, sorriso, chuva.
Chuva, garota, menino, abraço.
Escuro, sorrisos, coração.
- Vim te dizer que você me magoa. Quando não está, quando come brigadeiro com a colher pequena. Detesto quando você canta sozinha e quando esquece os acordes. Quando você insiste em usar chinelo na lama e quando me obriga a cortar meu cabelo. Você me magoa por me ligar e dizer que não vai dar. Porque eu faria tudo isso de novo e de novo só pra ver o brilho dos seus olhos ao sentir as batidas do meu coração.
Garota, sorriso.
- Vamos escrever uma música e depois você me ensina a tocar no escuro. Vamos concertar isso, está tudo fora do lugar. Não é esforço nenhum me apaixonar por você todos os dias por essas coisas que você diz e faz, talvez seja pra você, mas eu prometo que vou lembrar de Dó a Si até de cabeça pra baixo.
- Promete?
Fim da história.

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.